Raul de Taunay nasceu em Paris, França, em 23 de março de 1949 – brasileiro de acordo com o artigo 129 da Constituição de 1946. É o segundo de sete filhos do diplomata de carreira brasileiro, e professor, Jorge d’Escragnolle Taunay, casado com Mary Elizabeth Penna e Costa d’Escragnolle Taunay, igualmente professora universitária. Recebeu na infância uma educação qualificada e abrangente, aprofundada pela vida nômade que os pais levaram mudando-se a cada quatro anos, aproximadamente, de casa e de país, entre Europa e Estados Unidos.

Viveu seus primeiros anos em França e Dinamarca, depois Estados Unidos, México, Peru, Argentina e Brasil. Fez o curso secundário em liceus franceses nas cidades do Rio de Janeiro (1960), Barcelona (1962-1963), Montevideo (1964-1965) e Londres (1966-1967), havendo concluído o colegial em Cape Town, África do Sul. Em 1969 voltou ao Rio de Janeiro, cidade de seus familiares, para cursar Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, formando-se em dezembro de 1972.

Durante os anos de faculdade produziu o caderno de versos Visuais de Aquário, que originou seu primeiro livro, Poética do Novo Bardo (Editora/Gráfica Geni). Em 1972, passou no concurso do Instituto Rio Branco e iniciou a carreira diplomática em 1974, como terceiro-secretário.

Em sua trajetória profissional destacam-se diversos postos no exterior onde exerceu funções políticas, comerciais, culturais e administrativas em Angola, Bolívia, Índia, Venezuela, Guiana Francesa, França, Emirados Árabes Unidos, Tchecoslováquia, Egito, Cabo Verde, Itália, Tunísia, Porto Rico, Moçambique, Zimbábue, Malaui, Camarões, Guiné Equatorial, Líbia, Coreia do Norte, Honduras, Gabão e Malásia.

Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, em Brasília, desempenhou funções na Secretaria-Geral das Relações Exteriores, Departamento de Ciência e Tecnologia e Departamento da África. Ascendeu a todos os escalões da carreira diplomática sendo promovido a embaixador em 2009. Nesse mesmo ano, por seu desempenho no processo de pacificação do Zimbábue, o presidente da República outorgou-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco, dedicada a premiar serviços relevantes prestados à Nação.

Como escritor, é autor de romances, livros de poesia, ensaios, artigos e análises do cenário internacional. O poeta Carlos Nejar (1939-), membro da Academia Brasileira de Letras, comparou-o a Rimbaud (poeta francês, 1854-1891) pelo dom de “recobrar nas palavras todas as confluências de sua poesia errante, de país em país, carregando o eito de si mesmo, procurando alguma constelação perdida”.

Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982), também membro da ABL, escreveu na introdução do primeiro romance de Raul, O Menino e o Deserto: “vindo de cepa ilustre, e dela trazendo o dom das letras, mostra na escrita a marca profunda de sua personalidade, uma voz antiquíssima que conta e canta o eterno mistério humano”.

O poeta da geração mimeógrafo, Nicolas Behr (1958-), na contracapa do livro de crônicas O andarilho de Malabo (7Letras, 2015), diz: “em Raul de Taunay a criação brota, jorra natural, aos borbotões. Andarilho do mundo, poeta do mundo”. Antônio Carlos Secchin (1952-), membro da ABL, na apresentação de Poemas ao desabrigo (7Letras, 2017), completa: “(…) em sua obra inexiste a vazante: tudo nela é ímpeto, aventura de um temperamento medularmente lírico, ainda que expresso, muitas vezes, em formas regulares e rimadas”.

Em 2005, a Academia Brasileira de Letras outorgou-lhe a Medalha João Ribeiro, que desde 1962 homenageia pessoas ou instituições nacionais que se destacam no âmbito editorial e cultural brasileiro.

Principais obras:

  • Poética do Novo Bardo (Poesia, Geni, 1972)
  • O Menino e o Deserto (Romance, Vignoli e Anima, 1985)
  • Meu Canto Aberto (Poesia, Thesaurus, 1993)
  • Meu Brasil Angolano (Romance, Record, 1995)
  • Rosas da Infância ou da Estrela (Poesia, 7 Letras, 2005)
  • Urbe Extrema, Versos Brasilienses (Poesia, 7 Letras, 2012)
  • O Andarilho de Malabo e Internauta em verso e prosa, livros geminados (Poesia e Crônicas, 7 Letras, 2015)
  • Poemas ao Desabrigo (Poesia, 7 Letras, 2016)
  • A lucidez da lenda (Romance, Pandorga, 2017)